Mariangela Hungria é a primeira mulher brasileira a receber o World Food Prize

Mariangela Hungria é a primeira mulher brasileira a receber o World Food Prize

World Food Prize: Mariangela Hungria é a primeira mulher brasileira a receber este prêmio mundial por suas pesquisas em agricultura sustentável.

O World Food Prize é um reconhecimento mundial que destaca contribuições significativas para a agricultura. Recentemente, Mariangela Hungria, uma renomada pesquisadora, foi premiada por suas inovações que promovem uma agricultura mais sustentável. Vamos explorar essa conquista incrível!

Mariangela Hungria: A Pioneira Brasileira no World Food Prize

É com grande orgulho que celebramos uma conquista histórica para a ciência brasileira! Mariangela Hungria, uma pesquisadora dedicada da Embrapa Soja, em Londrina (PR), foi a primeira mulher do Brasil a receber o prestigiado World Food Prize. Este prêmio, carinhosamente chamado de “Nobel da Agricultura”, reconhece seu trabalho revolucionário no desenvolvimento de soluções biológicas que transformam a agricultura.

Quem é Mariangela Hungria e o que a levou ao “Nobel da Agricultura”?

A cerimônia de premiação aconteceu na última quinta-feira, dia 23 de outubro de 2025, no Capitólio de Iowa, em Des Moines, nos Estados Unidos. Mariangela Hungria, engenheira agrônoma e pesquisadora do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Taxonline, da Fundação Araucária, foi homenageada por suas contribuições significativas. Sua perseverança de 40 anos, focada em uma agricultura mais sustentável através de insumos biológicos, foi a chave para este reconhecimento. Ela mesma ressalta que nunca se desviou do caminho de substituir, parcial ou totalmente, os insumos químicos por biológicos.

A Essência de Suas Pesquisas: Microrganismos para um Futuro Verde

Ao longo de sua brilhante carreira, Mariangela Hungria se dedicou à microbiologia do solo, desenvolvendo mais de 30 tecnologias inovadoras. Seu foco sempre foi o uso de microrganismos para reduzir a dependência de fertilizantes químicos. Entre suas criações, destacam-se as técnicas de inoculação e coinoculação da soja, que utilizam bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) e promotoras de crescimento (Azospirillum brasilense).

Coinoculação da Soja: Uma Revolução no Campo

A coinoculação da soja é, sem dúvida, um dos maiores legados de Mariangela. Essa tecnologia combina duas bactérias essenciais: a Bradyrhizobium, que ajuda na fixação biológica de nitrogênio, e a Azospirillum brasilense, que estimula o crescimento das plantas. Em 2024, essa inovação já estava presente em cerca de 35% da área nacional cultivada com soja, tornando-se um verdadeiro símbolo de uma agricultura de baixo impacto.

Impacto Econômico e Ambiental: Números que Impressionam

Os resultados das pesquisas de Mariangela são notáveis, tanto para o bolso do produtor quanto para o planeta. Em 2024, o uso dessas bactérias permitiu uma economia de mais de 25 bilhões de dólares em fertilizantes nitrogenados para os agricultores. Além disso, a tecnologia contribuiu para mitigar a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes na atmosfera no mesmo ano. É um ganho duplo: mais dinheiro no campo e menos poluição no ar.

A Forte Conexão com o Paraná

Embora natural de Itapetininga (SP), Mariangela Hungria construiu uma profunda ligação com o estado do Paraná. Após se formar em Engenharia Agronômica pela USP, ela ingressou na Embrapa Soja, em Londrina (PR), nos anos 1980. Lá, dedicou mais de 40 anos à microbiologia do solo e à fixação biológica de nitrogênio. Ela atribui grande parte de seu sucesso à Fundação Araucária, que apoiou seu Projeto Nacional de Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia e a coleção de culturas do NAPI Taxonline, que ela considera seu maior legado. Mariangela também atua como professora na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), reforçando seu compromisso com a formação de novas gerações de cientistas. Para ela, o prêmio é um reconhecimento não só para o Brasil, mas especialmente para o Paraná, onde seu trabalho floresceu.

O World Food Prize: Reconhecendo a Luta pela Alimentação Global

O World Food Prize foi estabelecido em 1986 pelo agrônomo Norman E. Borlaug. Seu objetivo é honrar e premiar indivíduos que fazem contribuições extraordinárias para melhorar a qualidade, quantidade e disponibilidade de alimentos em todo o mundo. Mariangela Hungria é a quarta brasileira a receber essa honraria, juntando-se a um grupo seleto. Antes dela, os agrônomos Edson Lobato e Alysson Paulinelli foram premiados em 2006 por seu trabalho no desenvolvimento agrícola do Cerrado brasileiro. Em 2011, o então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também foi laureado, ao lado do presidente de Gana, John Kufuor, por suas ações no combate à fome em seus países.

Um Legado de Inovação e Sustentabilidade

A premiação de Mariangela Hungria com o World Food Prize é um marco. Ela não apenas destaca a excelência da pesquisa brasileira, mas também reforça a importância de abordagens sustentáveis na agricultura. Suas inovações mostram que é possível alimentar o mundo de forma mais eficiente, econômica e ambientalmente responsável. É uma inspiração para todos nós que acreditamos no poder da ciência para construir um futuro melhor.

Fonte: Rede Globo

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